26.9.15

É dos nervos, ela bem sabe, não vale a pena a resposta afiada na ponta da língua, ele anda nervoso e ela tem de ter paciência, lembrar-se de que também ela não é perfeita e uma vida a dois é mesmo assim, feitas de altos e baixos, montanhas e regadios, como dizia a mãe, nos dias em que o pai chegava a casa, já depois do jantar,  a cair de bêbado e a cantar é tão bom ser pequenino*.  Mas quando ele atira com o pão para o lado, enquanto blasfema, Mas que merda de pão é este, tão seco?, depois de grunhir que a massa não sabe a nada, ela, de talheres na mão, engole a raiva a custo e imagina a faca num vai e vem. Um dia, perde a cabeça.