A costureira triste
{e costura como quem à mão e à máquina descosturasse}
Mostrar mensagens com a etiqueta
Assombrados
.
Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta
Assombrados
.
Mostrar todas as mensagens
29.9.15
Ligava sempre a telefonia antes de começar as provas. Punha a fita à volta do pescoço, duas gotas de colónia de alfazema nos pulsos e mandava as noivas subirem para o banquinho. Fazia os vestidos das outras. Brancos, por vezes um pouco menos, que a virtude pode ter outros tons e ser disfarçada com rendas. Percorria-lhes os corpos com as mãos pequenas, sessenta e cinco centímetros de cintura, está mais magrinha, enquanto elas, as noivas, por entre risinhos nervosos e lábios mordidos, lhe confessavam as coisas que omitiam às mães e ao padre. Não tem mal, pois não?
(Continua nos
Assombrados.
Muito obrigada aos
autores
.)
4.9.15
E a costureirinha? Perguntaria uma voz sentada na mesa do fundo. O doutor sorriria com sarcasmo contido, essa, toda a gente sabe que morreu de desgosto de amor, e os outros rindo-se, diriam que lhe tinha faltado a cura que só o peso de um homem daria.
...esta costureira, que ainda respira sem dificuldades o calor acobreado de Setembro, do ano da graça de dois mil e quinze, seguirá atenta os
estranhos acontecimentos do ano de mil novecentos e quarenta e nove.
Mensagens antigas
Página inicial
Subscrever:
Mensagens (Atom)