Desde menina, Joaninha sempre julgou que, se alguma vez perdesse o grande amor da sua vida, cairia de cama. Ninguém lhe explicou que isso era nos filmes. Na vida, os abandonados continuam a levantar-se e a suportar a banalidade dos dias, carregando a dor e a desilusão.
26.4.15
24.4.15
Mexe o seu café com o vagar de uma velha parteira, que aprendeu há muito a saber esperar. João nunca entendeu o seu gosto pelo café bem doce e observava-lhe o gesto com o desdém que só os meninos ricos conhecem. A principio zoava-lhe da falha, mas ela manteve irredutível. Não lhe interessava a opinião dos gourmets, muito menos as regras da etiqueta gastronómica. Cansava-a, tanto alarido por causa de um café. Por fim, já a cansava o homem todo.
22.4.15
A verdade, implorou ela, chorosa, como se na verdade só coubesse amor. A verdade é que não quero mais, respondeu-lhe Joaquim, de rosto cansado e modo enfadado, pronto para sair. Nesse dia, a verdade cortou-lhe as cordas vocais, não voltou a cantar. Agora bebe mentiras, sempre doces e com duas pedras e gelo.
21.4.15
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